O governo dos Estados Unidos substituiu, nesta sexta-feira, a tarifa global temporária de 10% por um novo pacote de taxas que varia entre 10% e 12,5%, aplicado a 60 parceiros comerciais. A medida, anunciada pela administração Trump, cobre bens que respondem por 99,4% de todas as importações americanas, segundo dados citados por autoridades de comércio.
Quem é afetado?
Canadá, México, Índia e Reino Unido ficam sujeitos à alíquota de 10%. Taiwan e a União Europeia enfrentam a taxa mais alta do pacote, de até 12,5%. A lista de 60 países abrange praticamente todo o volume comercial dos Estados Unidos com o exterior, o que torna a mudança uma das mais abrangentes do ano em política comercial americana.
Nem todos os produtos entram na nova cobrança. Petróleo, gás natural, fertilizantes e determinados itens alimentícios ficam de fora, assim como bens já sujeitos às tarifas da Seção 232, categoria que inclui automóveis, aço, alumínio e cobre. Para empresas que operam nesses setores, a exposição à nova tarifa é menor do que o desenho geral da medida sugere.
A Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) conduziu, ao longo dos últimos meses, uma investigação sobre o uso de trabalho forçado nas cadeias de produção de bens exportados ao país. Segundo o governo americano, parte dos 60 parceiros afetados não adotou medidas suficientes para coibir a prática, o que motivou a inclusão na nova rodada de tarifas.
A semana também trouxe outros movimentos na política comercial dos EUA: a ameaça de tamedicamentos genéricos a partir de 2028.
A União Europeia classificou a decisão como uma "surpresa negativa". A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, rejeitou publicamente as alegações de trabalho forçado usadas como justificativa e questionou o momento escolhido para o anúncio. A Suíça também contestou as acusações. Já a Noruega optou por não anunciar retaliação, mantendo a via diplomática como primeira resposta.
O que muda na prática para quem exporta ou compra dos EUA?
Empresas com operação de comércio exterior ligada aos Estados Unidos têm, agora, três frentes concretas de trabalho. A primeira é o recálculo do custo de desembarque dos produtos afetados, considerando a nova alíquota por país de origem. A segunda é a revisão das categorias de exceção: bens já enquadrados na Seção 232 não sofrem a cobrança adicional, o que pode alterar decisões de sourcing e de classificação fiscal de mercadorias. A terceira é a documentação de cadeia de suprimento — com a justificativa oficial apoiada em alegações de trabalho forçado, empresas exportadoras têm mais motivo para reforçar auditorias de fornecedores e registros de conformidade trabalhista.
Para investidores e times de compliance internacional, a tarifa reforça um padrão que vem se repetindo em 2026: medidas comerciais cada vez mais usadas como instrumento de política externa, não apenas como ferramenta econômica. Isso eleva o custo de previsibilidade para operações que dependem do mercado americano e aumenta o valor de estratégias de diversificação de mercado e de fornecedores.
Enquanto os EUA sobem tarifas, outros blocos abrem mercado!
O movimento americano contrasta com o ritmo de outros blocos econômicos. A União Europeia concluiu, em janeiro, as negociações de um acordo de livre comércio com a Índia, incluindo proteção a investimentos e indicações geográficas — mercado que a própria Comissão Europeia descreve como capaz de reunir dois bilhões de consumidores e um quarto do PIB global. O acordo entre a UE e o Mercosul, fechado em dezembro de 2024 após duas décadas de negociação, segue o mesmo caminho, unindo mais de 700 milhões de consumidores entre os dois blocos.
Para empresas exportadoras, o cenário reforça uma leitura dupla: o mercado americano fica mais caro e mais imprevisível, enquanto rotas alternativas de comércio ganham tração. A diversificação de destino deixa de ser apenas estratégia de mitigação de risco e passa a compor, também, a busca por crescimento.rifa de 50% sobre determinados produtos canadenses e o anúncio de tarifas de 100% sobre.